Pular para o conteúdo principal

Profissão Professor

Ser Professor no Brasil é:


Ouvir sempre que sua vida profissional é uma vocação, que deve ser exercida a partir do amor e que TODOS os sacrifícios são justos e necessários para ensinar.

Ver pessoas de outras profissões que fazem "bico" como professores, indicando que formação, experiência, conhecimento sobre ensino e aprendizagem não servem de nada, demonstrando que no Brasil a educação pode ser exercida por qualquer um.  

Aprender métodos de Ensino e Aprendizagem com professores que não os utilizam, trabalhar em escolas nos quais não há como fazer experiências de ensino, não há estrutura física e não há ambiente propício ao ensino.

Trabalhar em Escolas Particulares nas quais o marketing determina as ações pedagógicas, turmas são montadas com 50 a 80 alunos e o ritmo das aulas é determinado por sistemas de ensino desligados da realidade dos alunos.

Estudar durante anos sobre temas científicos, artigos, pesquisas, mas descobrir que alguém buscando no Google e com um Canal de Youtube tem mais relevância e respeitabilidade que você.

Passar fins de semana corrigindo centenas de provas, preparando aulas e estudando temas que possam ser utilizados em sala de aula e chegar em sala e descobrir que os alunos não querem.

Brigar. Com os alunos para ensiná-los, com os pais para ensinar aos filhos, com a escola para ensinar aos alunos, consigo mesmo, para querer trabalhar ao fim de tudo.

Aguentar com paciência digna de Jó, com uma virtude digna de Aristóteles, com uma postura ascética exemplar as acusações de Doutrinação, de destruição da família, de destruição da moral religiosa e ainda assim ser um dos poucos que luta e acredita no desenvolvimento do potencial de crescimento do ser humano.

Tá ácido, tá doloroso? Só a gente esperar pra ver os efeitos de 20 anos sem investimento em educação + aprovação do projeto "Escola sem Partido" + Sucateamento da Educação Pública em todos os aspectos.

Valeu, Brasil.




Comentários

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Eu vejo gente morta

Ainda na onda dos vinte anos (1999 - 2000) achei por bem falar de mais um filme excelente! Nosso recado de sempre! O Sexto Sentido Num período que ninguém contava o final da história na internet as surpresas e reviravoltas ( plot twists ) marcavam quem ia ao cinema, esse filme deixou sua marca. Temos duas histórias paralelas no filme. De um lado o psicólogo infantil Malcolm Crowe que numa noite romântica com sua esposa foi alvejado com um tiro por um ex-paciente instável. Após isso e durante todo filme percebe-se como aquele evento o afastou de sua esposa. Do outro lado temos um garoto Cole Sear , com problemas de socialização e instável emocionalmente, que começa a ser atendido por Malcolm. O garoto se mostra profundamente reticente com o psicólogo e este se dedica cada vez mais a ajudá-lo ao mesmo tempo que pensa como resolver seus problemas conjugais. Cole e Malcolm se ajudam mutuamente e criam uma relação que equilibra a ambos. No meio do filme Cole revela q...

Escola - Pensamentos numa manhã fria e chuvosa

Eu escolhi ser professor. Embora isso possa parecer óbvio, em nossa cultura, em nosso contexto de vida brasileiro, isso tem que ser dito de forma clara para si mesmo e para os próprios colegas do ramo da educação. Escolhi passar horas em casa estudando e preparando melhores formas de uma aula acontecer. Horas tentando entender a vida humana nesse planeta e outras horas mais corrigindo avaliações.  Escolhi uma profissão que me permite conhecer as mudanças das gerações, que me permite conhecer vidas e realidades diferentes, que me permite plantar ideias ou despertar potenciais. Mas ao ver a imagem abaixo, só consegui lembrar que apesar de todos os ideais que possa vir a defender, a instituição escolar, em geral, é mais um espaço de fortalecimento da subserviência, do autoritarismo e do teatro social, tão fortes em nossa cultura.. Ao ler cada item, fiz perguntas a mim mesmo: 1. Como professor, eu sempre me posiciono como dono da verdade? Eu abro a possib...

As Lendas (Las Leyendas)

Novamente a Netflix agrada e me surpreende. As Lendas (Las Leyendas) é uma animação de produção mexicana do Estúdio Ánima em acordo com a Netflix que foi lançado aqui essa semana. Novamente comecei  a ver sem pretensões e antes mesmo de acabar uma série já me ponho a escrever sobre ela. A animação e seus personagens são baseados numa trilogia de animação mexicana:   La leyenda de la Nahuala (A Lenda de Nahuala) ,  La leyenda de la Llorona (A Lenda da Chorona) e   La leyenda de las momias de Guanajuato (A lenda das múmias de Guanajuato).  A série animada na Netflix porém, é mais "globalizada", apresentando lendas japonesas, gregas, chinesas, nórdicas, cristãs, alemãs, russas, judaicas e mexicanas. A produção é excelente, ficando a frente de muita produção de animação americana e os personagens são cativantes: Leo , um garoto que consegue ver espíritos; Don Andres , um fantasma de um cavaleiro (eu vi como uma menção maldosa a Don Quixote); Teodor...